Mangaba para presimente


"Se a sucessão presidencial de 2010 fosse convertida num campeonato de improbabilidades, o eleitor teria diante de si uma barbada.
Entre os eventos mais cotados para não acontecer, uma aposta segura seria a de que o PMDB não vai lançar um presidenciável próprio. Uma pena.
Abra-se um parêntese, para informar que surgiu na cena política brasileira um novo herói: Roberto Mangabeira Unger. O repórter decidiu cultuá-lo.
Muitos devem estar se perguntando: Quem diabos é Mangabeira? Era ministro de Lula até ontem, mas poucos notaram.
Trata-se daquele senhor que fala um português com sotaque americanizado. A mãe é brasileira. O pai, americano. Viveu a maior parte do tempo nos EUA.
Como intelectual, é um portento. Aos 22 anos, fez-se professor de Harvard. Ainda hoje é mestre da prestigiosa usina americana de canudos.
Fora da academia, Mangabeira frequenta a política brasileira como franco atirador. Dispara a esmo. Jamais acertou o alvo.
Foi guru de Leonel Brizola. Enxergava nele o presidente ideal. Deu em fiasco. Tentou uma parceria com Ciro Gomes. E nada.
No primeiro reinado de Lula, tornou-se um crítico acerbo. Pespegou no ex-operário a pecha de presidente mais corrupto da história republicana.
No segundo reinado, virou ministro do “corrupto”. Deixou pronto um plano de reestruturação das Forças Armadas. E voltou para o refúgio de Harvard.
Há coisa de um mês e meio, Mangabeira embrenhou-se numa nova empreitada política. Filiou-se ao PMDB. E corre o país defendendo a candidatura própria.
Às turras com o petismo, o governador pemedebê do Paraná, Roberto Requião, comprou a idéia. Convoca o “velho MDB” para a guerra. Fecha parênteses.
Retorne-se ao início do texto: o repórter decidiu cultuar Mangabeira Unger. Por quê? Concluiu que só um presidente do PMDB arrumaria a casa.
Calma. Antes de apanhar as pedras, reflita sobre o plano de Mangabeira. Não é uma idéia oportunista. Ao contrário. Tem lógica.
De um presidente do PMDB jamais se dirá que fez qualquer tipo de acordo com o PMDB. O apoio que o PMDB der a um soberano do PMDB será compreensível.
O PMDB é o único partido brasileiro que não pode ser acusado de manter relações suspeitas com José Sarney e Renan Calheiros. Suas ligações já são notórias.
O brasileiro não precisará mais pressionar o PMDB com receio de que o partido o decepcione. Já está decepcionado.
Há mais e melhor. Como já domina todas as coligações de que participa, o PMDB poderia impor os seus projetos sem precisar terceirizar a presidência.
O PT, como se sabe, chegou ao Planalto e está cumprindo fielmente a agenda do PMDB. Encantado com Lula, o PMDB talvez decidisse inovar.
A julgar pela ilógica que domina a política brasileira, não seria de espantar que, sob um presidente pemedebê, o governo executasse o programa do PT.
Assim, por um governo socialista, pelo fim do coronelismo e do fisiologismo na política, viva Roberto Mangabeira Unger!
Nem Serra nem Dilma. Só um presidente do PMDB poderia salvar o Brasil do PMDB. Ele não virá. É uma pena." (Josias de Souza)